UMA CRENÇA UMA DETERMINAÇÃO

 

 

 

Se no início da minha vida eu não compreendia minhas limitações, com o passar do tempo tornou-se inevitável fazer uma pergunta:

De onde vem tudo isso?

Durante muitos anos, carreguei as consequências sem entender as causas. A dificuldade de memorizar, a insegurança, o medo, a sensação constante de inadequação — tudo parecia fazer parte de quem eu era.

Mas não era.

Era resultado.

Resultado de experiências vividas em uma fase da vida em que eu não tinha maturidade para entender, muito menos para me defender.

A infância, que deveria ser um período de construção emocional, foi marcada por ausência, falta de apoio e, principalmente, pela falta de compreensão.

Não havia orientação.
Não havia acolhimento suficiente.
Não havia base emocional sólida.

E quando uma criança cresce sem essa base, ela não apenas sofre no presente — ela carrega isso para toda a vida.

Os traumas não surgem como algo visível. Eles se instalam silenciosamente.

Se manifestam na dificuldade de aprender.
Na insegurança ao se expressar.
No medo constante de errar.
Na sensação de não ser suficiente.

Foi isso que aconteceu comigo.

Enquanto outras pessoas desenvolviam confiança, eu desenvolvia defesa.
Enquanto outras avançavam, eu recuava.
Enquanto outras acreditavam em si, eu duvidava de mim mesmo.

E o mais difícil de tudo: eu não sabia o porquê.

Cresci acreditando que o problema era eu.

Que eu era limitado por natureza.
Que minha dificuldade era incapacidade.
Que minha mente não funcionava como deveria.

Essa crença foi, talvez, o maior dos traumas.

Porque ela não apenas explicava minha dor — ela me aprisionava dentro dela.

Sem perceber, eu passei anos vivendo sob o peso de uma identidade que não era verdadeiramente minha, mas que foi construída pelas circunstâncias.

Somente muito tempo depois, já na fase adulta, comecei a questionar essa realidade.

E foi nesse questionamento que algo começou a mudar.

Ao refletir sobre minha própria história, percebi que minhas limitações cognitivas não surgiram do nada. Elas tinham origem.

E essa origem estava ligada ao ambiente, às experiências e às marcas deixadas na minha formação emocional.

Compreender isso foi libertador.

Porque, pela primeira vez, eu deixei de me ver como o problema — e passei a enxergar o processo.

Não se tratava de incapacidade.
Tratava-se de consequência.

Essa mudança de percepção não apagou os traumas.
Mas me deu algo que eu nunca tive:

Consciência.

E a consciência é o primeiro passo para qualquer transformação.

Ao entender a origem da minha dor, comecei também a entender algo maior:

Quantas pessoas vivem carregando limitações sem saber de onde elas vêm?
Quantas se julgam incapazes, quando na verdade foram marcadas por experiências que nunca escolheram viver?

Foi nesse momento que minha história deixou de ser apenas pessoal.

Ela passou a fazer parte de algo maior — uma reflexão sobre a condição humana.

Porque, no fundo, compreender os próprios traumas não é apenas um ato individual.

É o início de um despertar.

E todo despertar começa com uma pergunta:

Por quê?

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *