UM OVO CHOCADO POR 40 ANOS GEROU O BOLSONARISMO (política)

Cai a Ditadura Militar, Inicia-se um Processo Diabólico de Manipulação

O propósito de um golpe no Brasil é uma velha ideia.

Com a queda da ditadura militar, a abertura política e a promulgação de uma nova Constituição, foi colocado um ovo para chocar pelo tempo que fosse necessário.

Esse ovo, chocado por quase quarenta anos, gerou o povo que temos hoje.

A chocagem desse ovo desenvolveu-se sob uma estrutura de manipulações religiosas, midiáticas e de banalização da cultura, tudo para que o resultado fosse a formação de um povo alienado, que hoje infesta a realidade política do nosso país.

Para que as elites do grande capital atinjam o sucesso desejado, o povo tem que perder a capacidade de pensar, e foi isso que fizeram.

Tratando-se da produção de uma sociedade tola, doentia e escravizada, a mídia foi e continua sendo o instrumento mais poderoso.

Tentaram sucatear a educação porque querem um povo ignorante, pois, quanto maior a ignorância, maior a facilidade de ser enganado.

Os CIEPs de Brizola e Darcy Ribeiro não poderiam prosperar, no pensamento das lideranças da extrema direita, pois as crianças não deveriam passar o dia na escola. Isso lhes tiraria a oportunidade de permanecer diante da televisão, já que a escola ensina, enquanto a televisão idiotiza.

Para formar uma nação de analfabetos políticos, era fundamental que aparelhos de televisão estivessem presentes em todos os lares do Brasil, desde os barracos mais humildes até as mansões, além de todas as repartições públicas, como vemos hoje.

A arte, a cultura e o talento artístico eram valores que deveriam ser banalizados.

A mídia é tudo de que os donos do mundo necessitam para alcançar seus propósitos demoníacos.

A Voz de Quem Viu o Processo Abominável de Manipulação

O ano era 1961. Eu tinha então 14 anos e me lembro de que o Brasil vivia uma intensa efervescência política. Com a renúncia do presidente Jânio Quadros e a tentativa de golpe de Estado, surgiu no Rio Grande do Sul o movimento brizolista em defesa da legalidade. Meu pai acompanhava atentamente, através de seu rádio de mesa, o desenrolar dos acontecimentos. As informações chegavam pela Rádio Guaíba, de Porto Alegre.

Era um momento de grande expectativa. Embora eu não entendesse quase nada do que estava acontecendo, acompanhava a admiração de meu pai pelo então jovem governador do Rio Grande do Sul, Leonel Brizola. O clima de mobilização criado por seus discursos inflamados e pelas marchas militares transmitidas 24 horas por dia pela rede de emissoras da Rádio Guaíba era contagiante. Foi o início de uma chama que, com o tempo, se intensificou não apenas em mim, mas em toda uma geração de jovens daquela época.

O Movimento da Legalidade saiu vitorioso, com João Goulart assumindo a Presidência da República, embora por pouco tempo, até ser deposto pelo golpe militar de 1964. Sem uma opinião ideológica formada, passei a acreditar que o regime militar era o melhor caminho para o Brasil, pelo menos até ingressar no quartel para prestar o serviço militar, em 1966.

Embora, nos quartéis, os assuntos políticos fossem restritos e até arriscados, às vezes surgiam, em pequenos grupos, comentários sobre temas ideológicos debatidos entre jovens universitários. Foi assim que começou a despertar minha consciência política.

Concluído o período do serviço militar, passei a observar o cenário político com um olhar mais crítico. Comecei a ler livros sobre geopolítica e sobre os grandes conflitos que moldavam o mundo. Foi nesse período que despertou meu interesse em conhecer os ideais marxistas e compreender melhor as revoluções Russa, Chinesa e Cubana.

Tenho orgulho da minha geração. Nós respirávamos revolução. Valorizávamos a cultura, acreditávamos em nossos sonhos de construir um mundo mais igualitário e justo. Valorizávamos a elegância, o conhecimento e a educação.

Ao mesmo tempo, tínhamos consciência de que, por trás de todo o contexto político da época, estavam os interesses do império norte-americano. A Guerra Fria nos dava uma clara noção da realidade conflituosa que se desenrolava no planeta, marcada pela disputa entre capitalismo e socialismo.

Hoje, ao recordar aqueles tempos, vejo que fomos uma geração movida por ideais, esperanças e inquietações. Vivemos intensamente um período em que a política não era apenas um tema de discussão, mas uma força capaz de inspirar sonhos, paixões e projetos de transformação social.

Acreditávamos que o amor venceria o ódio e que a verdade triunfaria sobre a mentira.

 GOTAS DA HISTÓRIA

O ano era 1961. Eu tinha apenas 14 anos, mas algumas lembranças daquele período permanecem vivas em minha memória, como se o tempo não tivesse conseguido apagá-las.

O Brasil vivia dias de intensa agitação política. A renúncia do presidente Jânio Quadros mergulhou o país em uma grave crise institucional, e a ameaça de um golpe de Estado pairava sobre a nação. Foi então que, no Rio Grande do Sul, surgiu o Movimento da Legalidade, liderado por Leonel Brizola, em defesa da Constituição e da posse do vice-presidente João Goulart.

Em nossa casa, meu pai acompanhava cada acontecimento com atenção redobrada. Sentado ao lado de seu inseparável rádio de mesa, ouvia as notícias que chegavam pela Rádio Guaíba, de Porto Alegre. A cada boletim, a cada pronunciamento, a expectativa aumentava.

Eu ainda compreendia pouco da complexidade daqueles fatos. No entanto, percebia claramente a admiração que meu pai nutria por Brizola, então um jovem governador que se transformava em símbolo de resistência democrática. Seus discursos apaixonados ecoavam pelos alto-falantes das emissoras, enquanto marchas militares eram transmitidas dia e noite, criando uma atmosfera de mobilização que parecia envolver todo o país.

Aquele clima despertou algo dentro de mim. Uma chama discreta, mas persistente, que aos poucos foi ganhando força. Não aconteceu apenas comigo. Muitos jovens de minha geração passaram a olhar a política e os destinos do Brasil com novos olhos, movidos pela esperança de participar da construção de um país mais justo.

A vitória do Movimento da Legalidade garantiu a posse de João Goulart, o Jango. Foi uma conquista importante, embora breve. Poucos anos depois, em 1964, o golpe militar interrompeu aquele processo democrático e lançou o Brasil em um período de exceção que se estenderia por 21 longos anos.

Foram décadas marcadas pela repressão, pelo silêncio imposto e pela frustração de muitos sonhos. Ainda assim, a esperança não foi totalmente derrotada. Ela sobreviveu na memória, na resistência e na convicção daqueles que acreditavam na liberdade e na democracia.

Hoje, ao recordar aqueles acontecimentos, sinto orgulho de ter pertencido a uma geração que sonhou, lutou e não se conformou diante das injustiças.

Uma geração que, apesar das adversidades, jamais deixou de acreditar em um Brasil melhor.

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