ANTES TARDE DO QUE NUNCA!!

 A BUSCA DA CONQUISTA POR DIGNIDADE

Favorecido pelo destino. Joguei futebol até os 69 anos.
Mais uma vez, o destino foi complacente comigo. Depois de enfrentar problemas de saúde, uso de medicamentos e sessões de fisioterapia, consegui voltar às minhas “peladas”. Aos 69 anos, vivi minha última brincadeira no futebol — um momento que guardo com carinho.

O dia que meu filho Wendel promoveu um evento familiar, participaram também no futebol o filho Jader, e o neto Gabriel e, para completar, a minha mãezinha assistindo. Um evento simples, mas que, para mim, representou um grande dia.

Outro grande objetivo também foi alcançado: em fevereiro de 2022, realizei o sonho de escrever um livro. Nele, abordo, entre outros temas, minha indignação diante da realidade política e social.

Mais do que escrever um livro, adquiri uma compreensão mais ampla sobre a vida — sobre valores fundamentais e sobre a difícil realidade da humanidade. Os últimos 21 anos, que poderiam ter sido um período vazio caso eu tivesse me entregado à solidão, tornaram-se, na verdade, um tempo de aprendizado e conscientização.

A solidão transformou-se no meu campo de reflexão. Foi uma oportunidade de me reconstruir como ser humano. Pelo menos, era o que minha consciência me dizia.

Esse período também me permitiu olhar para dentro e reconhecer erros. Erros por falta de compreensão, como discussões com meu pai. Erros por falta de sensibilidade humana, como atitudes de agressividade verbal com minha mãe e pessoas próximas. Pensar nisso hoje pesa na consciência, mas falar sobre essas questões tornou-se, para mim, uma forma de confissão — ainda que tardia — e um alívio para a mente. Sinto que é uma tentativa de resgatar minha dignidade.

Hoje, resta o lamento, com a consciência de que poderia ter sido diferente. Ao mesmo tempo, reconheço meu desequilíbrio emocional, resultado de traumas da infância. Talvez por isso eu valorize tanto a boa formação. Defendo que o maior investimento do Estado deveria ser na educação — uma educação que começa ainda na gestação. Por isso, valorizo profundamente a ciência.

Se eu tivesse uma nova vida, tudo seria diferente: o amor, a compreensão e a razão seriam a base da minha caminhada.

No fim, minha grande conquista foi entender que a maior riqueza não está nos bens financeiros. A verdadeira riqueza, especialmente na velhice, depois da saúde, está em uma vida ativa e na serenidade para continuar semeando esperança por um mundo melhor.

Reforcei também minha convicção de que, por meio da sabedoria, é possível se conectar a uma força maior — algo que nos conduz a conquistas verdadeiramente dignas.

Deixe um comentário

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *