O BRASIL NA VISÃO DO POVO INDIGNADO

A VÓS DE QUEM VIU O PROCESSO ABOMINAVEL DE MANIPULAÇÃO

O ano era 1961, eu então, com 14 anos me lembro que o Brasil vivia uma efervescência política, com a renúncia do Presidente Jânio Quadros, e a tentativa de golpe de estado, surgiu no Rio Grande do Sul o movimento brizolista em defesa da legalidade, meu pai acompanhava atentamente através de seu radinho de mesa o desenrolar dos acontecimentos, as informações chegavam através da rádio Guaíba de Porto Alegre.

Era um momento de muita expectativa, embora eu não entendesse quase nada sobre o que estava acontecendo, acompanhava a admiração do meu pai pelo então, jovem governador Brizola do Estado do Rio Grande do Sul, até porque, o clima revolucionário criado por Brizola com seus discursos inflamados, as marchas militares transmitidas 24 por dia pela rede de emissoras da Rádio Guaíba era contagiante, era o início de uma chama que com o tempo se intensificou, não apenas em mim, mas em toda uma geração de jovens.
O Movimento pela Legalidade saiu vitorioso com Jango assumindo a presidência, embora por pouco tempo, ou seja, até ser deposto pelo o golpe militar de 64, sem uma opinião ideológica formada, passei a acreditar que o regime militar era o melhor caminho para o Brasil, até ir para o quartel prestar o serviço militar em 1966.
Embora que, nos quarteis o assunto sobre política era restrito e arriscado, em pequenos grupos, as vezes surgiam comentários sobre alguns temas ideológicos entre jovens universitários, e assim, iniciou minha consciência política. Concluído o tempo de serviço militar passei ter um olhar crítico sobre o momento político, passei ler livros sobre o mundo geopolítico, foi quando despertou meu interesse em conhecer os ideais marxistas e o entendimento das revoluções russa, maoísta e cubana.
Tenho orgulho da minha geração de jovens, nós respirávamos revolução, nós valorizávamos a cultura, nós acreditávamos nos nossos sonhos de construir um mundo igualitário e justo. Valorizávamos a elegância e o conhecimento, nós acreditávamos que o amor venceria o ódio e que a verdade venceria a mentira, embora tínhamos a consciência de que por trás de todo o contesto político estava os interesses do império norte americano, a Guerra Fria nos dava a noção da realidade conflituosa que ocorria no Planeta entre capitalismo e socialismo.
Eram muitos sonhos, mas não se vive de sonhos, e a vida deveria continuar, e eu tinha uma vida pela frente, da vida da lavoura para minha primeira profissão, que foi motorista de ônibus, e depois profissional área de vendas por quase 20 anos.
Uma vida de trabalho e muita luta, mas sempre atento com senso crítico quanto a realidade política e social.

Sem ter bola de cristal, eu atinava o futuro de um caminho espinhoso sendo construído.

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