UMA PASSAGEM CHAMADA VIDA

              UMA PASSAGEM CHAMADA VIDA

Eu não acreditava na divindade de Deus, até descobrir a finalidade e o papel que eu deveria exercer nesta passagem pela vida.

VIVER É PERCORRER UM CAMINHO QUE SE ESTENDE ENTRE A FELICIDADE E O SOFRIMENTO.

INTELIGÊNCIA, FELICIDADE E SOFRIMENTO: TRÊS PALAVRAS NAS QUAIS SE ENCONTRA O FUNDAMENTO DA VIDA.

A CRENÇA NO PODER DA INTELIGÊNCIA, CONECTADA À FÉ EM DEUS, É A LUZ DA VIDA.

QUANDO PAREI DE ACREDITAR QUE NÃO TINHA MAIS CHANCE, FOI NESSE MOMENTO QUE DECIDI COLOCAR UM MARCO EM MINHA HISTÓRIA.

Já próximo dos 60 anos, sentindo a humilhação de depender da ajuda de familiares e até mesmo morando de favor na casa de um irmão, frequentemente vinha à minha mente o pensamento de que meu tempo de oportunidades havia passado. Nessa fase da vida, eu já tinha consciência das minhas limitações cognitivas. Foi então que fiz uma profunda reflexão sobre minha trajetória e um verdadeiro autodiagnóstico da minha vida.

Eu também refletia sobre meu baixo nível de escolaridade. Lembrava-me das dificuldades que enfrentei na escola para concluir o quarto ano primário. Pesava em meus pensamentos o fato de me considerar uma pessoa problemática, marcada por transtornos emocionais. Eu tinha consciência de que não dominava a escrita, mas acreditava que os anos que ainda tinha pela frente poderiam ser suficientes, ao menos, para melhorar minha capacidade de redação.

PODER DE UMA FORÇA SUPREMA

Quando descobri essa força, passei a refletir sobre o poder que possuímos por meio da inteligência. Adotei a crença de que todo ser humano carrega dentro de si uma pequena parcela do poder divino. Assim, passei a acreditar que a inteligência é uma centelha do Criador e que os anos de vida que ainda tinha pela frente representavam uma oportunidade de manter acesa a chama da esperança.

Não me importei se os anos futuros seriam muitos ou poucos; preocupei-me apenas em aproveitar o tempo oportuno, levando em conta que, no mínimo, eu poderia recomeçar.

Às vezes pergunto à minha própria consciência: o que seria da minha vida hoje sem essa pequena colheita de conhecimentos adquiridos de forma simples, sem riqueza acadêmica, mas suficientes para construir os alicerces do meu viver?

Usei um computador pela primeira vez aos 59 anos. Não conhecia nada sobre internet, mas a vontade de aprender falava mais alto. Minha fé estava centrada no poder do pensamento. Foi nesse período que passei a acreditar que Deus também se manifesta por meio da capacidade humana de pensar e refletir. Foi então que dei um novo rumo à minha vida.

Eu sempre me lembrava de um pensamento que diz: “O ser humano sem esperança é um vivo-morto.” Eu não queria desistir.

Existe um pensamento popular que afirma: “Quando não conseguir vencer pelo talento, tente pelo esforço.” Levei essa ideia em consideração e procurei aplicá-la à minha própria vida.

Compreendi que a capacidade de unir a fé religiosa ao poder da inteligência representa uma das maiores riquezas no campo do conhecimento humano. “Deus também se manifesta por meio da capacidade humana de pensar e refletir”

A vida de uma pessoa pode parecer sem sentido simplesmente por não ter encontrado uma motivação capaz de dar direção à sua caminhada.

Uma mudança significativa pode começar quando descobrimos o prazer de buscar o autoconhecimento.

Cultivar a fé e a determinação é a base da caminhada em direção à realização de um sonho, por mais difícil que ele possa parecer.

Damo-nos conta de que a vida tem muito a nos oferecer a partir do momento em que adotamos a crença na racionalidade.

Em uma busca incessante pelo saber, as horas de um dia parecem poucas, mas cada uma delas tem grande valor.

Como sempre fui um sonhador, criei em minha imaginação o mundo como acredito que ele deveria ser. Escrever sobre o mundo dos meus sonhos exigiria milhares de páginas, capazes de retratar o modelo de uma única civilização global.

Ao longo da vida, cultivamos muitos desejos. Entre eles, existe um desejo especial, aquele que permanece constantemente em nossa mente, ocupando lugar de prioridade e impulsionando nossa busca por uma grande conquista. Porém, na maioria das vezes, o tempo passa, envelhecemos e esse desejo acaba se tornando apenas mais um sonho não realizado. É quando a realidade se impõe e percebemos que o sonho não se concretizou por falta de dedicação e determinação.

Minha crença é que o bem-estar e a felicidade do ser humano, assim como de toda a humanidade, encontram-se na capacidade da inteligência.

Curar as feridas da espécie humana depende da ciência aliada ao sentimento de amor.

Minha curiosidade nunca se limitou à busca pelo entendimento da vida. Minha persistência sempre me levou a buscar conhecimentos mais amplos, mesmo consciente das minhas limitações. Apesar dos transtornos emocionais resultantes de traumas adquiridos na infância, permaneci firme na busca pelo conhecimento. Sempre encontrei prazer em dedicar meu tempo à ampliação dos meus saberes.

Depois de velho, descobri que o aprendizado é o alimento da alma. Assim, de forma crítica e reflexiva, mergulhei no estudo da História, buscando na internet conhecimentos compatíveis com minha capacidade de compreensão. Fascinavam-me temas como geopolítica, civilizações, a história da humanidade e das religiões.

Na minha visão, prevalece o entendimento de que a espécie humana possui uma razão para existir. Esse pensamento sempre esteve presente em minha mente, conduzindo-me à busca pelo entendimento do contexto da vida humana e do Universo. Em qualquer situação, eu perseguia o saber, talvez tentando superar minhas limitações cognitivas, mas consciente de que, dentro do meu pequeno campo de aprendizado, poderia adquirir conhecimentos suficientes para construir meu próprio mundo, já que o mundo ideal e verdadeiramente humanizado tornou-se impossível na atual civilização.

Criei em minha mente o mundo que acredito ser aquele que todos desejamos. Sei que é apenas um sonho, mas mantenho a convicção de que as futuras gerações poderiam viver uma realidade diferente se o imenso poder da inteligência humana fosse plenamente utilizado em benefício da humanidade.

Esse foi o objetivo que persegui durante os últimos vinte anos. Foram anos que trouxeram luz à minha vida: a luz do entendimento que eu tanto buscava.

“Além da fé em Deus, acrescentei a fé no poder da inteligência, e isso representou o caminho e a luz na busca dos objetivos que tanto ambicionava.”

 

A VERDADEIRA FELICIDADE ESTÁ NA CAPACIDADE DE PENSAR

Não devemos nos esquecer de que, enquanto temos vida, temos um futuro, não importa a idade.

Buscar momentos de prazer e bem-estar é fundamental; essa é a felicidade de que tanto necessitamos, especialmente na velhice.

Também não podemos esquecer que um bom histórico de vida constitui um alimento precioso para a alma nas fases mais avançadas da existência.

As boas lembranças preenchem os espaços que poderiam ser ocupados pela solidão.

É possível que a felicidade que todos procuram esteja dentro de nós, na nossa capacidade de pensar.

Cada ser humano tem a capacidade de construir o seu próprio mundo.

Muitas pessoas vivem em uma busca incessante pela felicidade, sem perceber que aquilo que procuram pode estar dentro delas mesmas, na capacidade de refletir e compreender a vida.

Assim como muitas situações podem ser resultado de nossas escolhas, excetuando-se as fatalidades, geralmente só carregamos na vida aquilo que aceitamos.

Às vezes abrimos as portas do coração para situações que acabam resultando em sofrimento. Na intensa procura pela felicidade, frequentemente nos deparamos com a infelicidade.

A felicidade não é algo que se encontra procurando desesperadamente; ela costuma surgir quando estamos em paz com a vida e conosco mesmos.

Na verdade, a felicidade cantada pelos poetas é como as pétalas das rosas: possui grande beleza, mas também uma existência passageira.

A verdadeira felicidade encontra-se no prazer de ser livre, de ser o dono das próprias decisões.

Ser feliz é descobrir a si mesmo, valorizar a oportunidade de aprender, crescer e tornar-se mais sábio.

Por isso, acredito que a felicidade que todos procuram pode estar dentro de cada um de nós, na extraordinária capacidade humana de pensar.

“Todo ser humano tem a capacidade de construir o seu próprio mundo.”

 

NA SOLIDÃO, ENCONTRAMOS OS MAIORES VALORES QUE ALIMENTAM A ALMA

É no silêncio da solidão que encontramos os nutrientes que nos tornam mais fortes, mais capazes e mais seguros para enfrentar os desafios que a vida nos impõe.

Na solidão descobrimos que possuímos a ferramenta mais importante de todas: a inteligência.

Nessa ferramenta, sempre disponível, encontramos recursos valiosos para alcançar conquistas como o bem-estar, a tranquilidade e a paz interior de que tanto necessitamos.

Não devemos nos esquecer de que, enquanto temos vida, temos um futuro, não importa a idade.

Buscar momentos de prazer e serenidade é fundamental; é a tranquilidade que tanto necessitamos na velhice.

Também não podemos esquecer que um bom histórico de vida constitui um alimento precioso para a alma nas etapas mais avançadas da existência.

“As boas lembranças preenchem os espaços que poderiam ser ocupados pela solidão.”

Na solidão encontramos tempo para aprender e a oportunidade de refletir, colhendo frutos preciosos. É nesse recolhimento que buscamos conhecimentos que ampliam nossa consciência e nos fazem compreender que a vida humana pode ser muito mais rica e significativa do que imaginamos.

A solidão não é uma doença; muitas vezes, ela pode ser resultado da busca por felicidade, autoconhecimento e equilíbrio interior.

Cada ser humano tem a capacidade de construir o seu próprio mundo.

Às vezes, somos vítimas da busca incessante pela felicidade, sem perceber que ela pode estar mais próxima do que imaginamos.

A solidão transforma-se em solitude quando descobrimos que estamos diante da oportunidade de encontrar a paz interior, o amor pela própria vida e uma compreensão mais profunda de nós mesmos.

É no silêncio da solitude que encontramos a oportunidade de nos tornar mais fortes, mais conscientes e mais preparados para enfrentar os desafios da existência.

A solitude nos proporciona, de forma mais profunda, o discernimento sobre a importância da racionalidade e do autoconhecimento.

É na solitude, acompanhada pela paz da alma, que ocorre uma das mais importantes descobertas da vida: a descoberta de nós mesmos.

“A solidão não é uma doença; ela pode ser resultado de uma tentativa de encontrar a felicidade, a paz interior e o sentido da própria existência.”

TENTATIVA DE RENASCIMENTO

ENCONTRO COM A RAZÃO DA VIDA HUMANA

Que chances tem de acertar na vida uma criança que nasceu e cresceu na pobreza, que chegou à idade adulta sem acompanhamento afetivo, sem conhecer um gesto de carinho dos pais ou de qualquer outra pessoa, que atravessou a infância e a adolescência sem ouvir uma única palavra de conforto, incentivo ou apoio moral?

O resultado foi uma vida marcada por muitos entraves. No entanto, por mais árdua que tenha sido a caminhada, jamais desisti dos meus sonhos. A teimosia venceu as adversidades, e hoje sinto que fui favorecido pelo destino por ter chegado até aqui.

Foram muitos sonhos, muitos planos e muitas decepções. Porém, havia um sonho que sempre falou mais alto: a realização de algo que pudesse dar sentido à minha existência. Desse sonho eu nunca desisti.

Sempre acreditei que minha passagem por esta vida só se justificaria plenamente se eu escrevesse um livro, nem que fosse um pequeno livreto de poucas páginas, deixando registradas minhas ideias e reflexões.

Eu sabia que, um dia, no futuro, um neto ou uma neta poderia desejar conhecer sua origem, sua história e o caminho percorrido por seus antepassados.

Sempre carreguei comigo o desejo de perpetuar meus ideais por meio da escrita. Havia em mim uma necessidade profunda de deixar para meus descendentes o testemunho de que possuí um pensamento próprio, uma visão de mundo e convicções que considerei importantes.

Também mantive a esperança de que o tempo pudesse demonstrar que muitas das ideias que defendi estavam alinhadas com aquilo que considero o melhor para a humanidade.

Mas, acima de tudo, eu tinha a certeza de que chegaria o momento em que surgiria a oportunidade de expor minhas ideias através de um livro.

“Nessa minha persistente teimosia, pude finalmente me encontrar comigo mesmo.”

Encontrei meu lugar como ser humano e descobri qual era o meu papel nesta passagem chamada vida.

Nessa busca pelo entendimento, encontrei também a minha forma de viver a espiritualidade, sem me preocupar se o único seguidor desse pensamento fosse eu mesmo.

Porém, para falar da realização do meu sonho, preciso contar a origem de tudo isso, pois não faria sentido escrever sobre minha trajetória sem mencionar o problema que interferiu de maneira negativa em grande parte da minha existência: a timidez.

A timidez pode não causar ferimentos físicos, mas certamente provoca profundas consequências emocionais.

Eu vivia constantemente aborrecido e frustrado, fosse por não me sair bem em uma entrevista de emprego, por uma apresentação insatisfatória em determinado evento, pela dificuldade de falar em público ou até mesmo por não conseguir conversar com aquela moça que eu acreditava ser a namorada dos meus sonhos.

No meu caso, estou falando de uma timidez que considero crônica, pois ela estava presente em praticamente todas as situações da minha vida. Era uma barreira constante sempre que eu precisava de segurança e confiança para me comunicar.

Sei que a timidez se manifesta de maneiras diferentes em cada pessoa. No meu caso, essa condição acabou me tornando vítima de algo que pode ser definido como fobia social. Com o passar dos anos e o amadurecimento, fui me sentindo mais seguro em algumas situações. Ainda assim, nunca consegui me libertar completamente da dificuldade de me sentir à vontade em ambientes sociais.

Mas, apesar de tudo, se hoje tenho uma história para contar e consigo compartilhá-la por meio da escrita; se hoje sou capaz de registrar minhas ideias; se desenvolvi opiniões sobre questões sociais e geopolíticas; se me considero uma pessoa bem informada, dentro das minhas limitações, devo isso à persistência, à teimosia e à determinação que tive para preencher a grande lacuna deixada por uma vida retraída e confusa.

Se eu conseguir registrar minha história de forma clara e didática, e se um dia esse relato puder ser útil a uma mãe ou a um pai, ajudando-os a compreender melhor as causas do medo, da insegurança e da timidez na vida de uma criança, então terei a certeza de que minha vida valeu a pena.

INFÂNCIA

Aos seis anos de idade, meus pais me levaram para morar com minha avó em uma pequena cidade situada a quatro quilômetros de onde vivíamos.

Lembro-me de que, no meu primeiro dia de aula, um tio me acompanhou até a escola e me entregou à professora. Sem qualquer preparação e sem a mínima noção do que era uma escola, vi-me diante de um mundo completamente desconhecido.

A partir daquele momento, eu não passava de uma criança assustada e sem entender o que estava acontecendo. Foi como se alguém me dissesse: “Daqui para frente, você terá de se virar sozinho.”

Sem minha mãe por perto para perguntar como havia sido meu dia, para me ensinar hábitos de organização, para olhar meus cadernos ou me ajudar a me preparar para a escola, eu me sentia perdido. Também não havia quem me oferecesse uma palavra de conforto ou incentivo.

Minha avó era analfabeta. Não sabia sequer escrever o próprio nome e não possuía condições de acompanhar minhas tarefas escolares. Até então, eu conhecia apenas a vida rural e tinha pouquíssima convivência social.

Também é importante lembrar que muitas educadoras da época possuíam formação limitada. Em geral, a atenção dedicada aos alunos era insuficiente. Crianças com dificuldades emocionais, cognitivas ou de aprendizagem raramente recebiam acompanhamento adequado. Muitas vezes, o trabalho se restringia à aplicação das tarefas e à disciplina em sala de aula.

“Uma criança que cresce sem afeto no ambiente familiar e sem acolhimento no ambiente escolar corre o risco de se tornar um adulto inseguro e emocionalmente fragilizado. Quem nunca recebeu demonstrações de amor encontra mais dificuldades para reconhecer seu verdadeiro valor.”

ADOLESCÊNCIA

No início da minha adolescência, fui obrigado a trabalhar com meu pai na lavoura. Nos finais de semana, eu me alegrava quando conseguia me encontrar com outras crianças e adolescentes da vizinhança para andar de bicicleta, nadar no rio ou jogar futebol em um pequeno campo improvisado no sítio do meu pai.

Foi dessa forma que cresci, gostando de futebol. Porém, por mais que tentasse, a bola e meus pés não se entendiam, o que se tornava motivo de chacota por parte dos colegas do time, deixando-me aborrecido. (Anos mais tarde, descobri que tinha problemas de coordenação motora.)

Naquela época, minha única distração era o pequeno cinema da cidade. Sempre fui fascinado por filmes históricos, muito comuns naquele período, principalmente os baseados em fatos reais. Isso alimentava minha imaginação desde a infância. Nunca tive interesse por filmes de ficção ou histórias sem fundamentos.

Como o dinheiro era escasso, lembro-me de que, certa vez, aos 15 anos, gastei o último centavo que possuía para comprar um atlas. Era um Atlas Geográfico completo. Ao pesquisar o mundo por meio daquela obra, era como se eu estivesse viajando: surgiam os países, suas capitais e bandeiras. O país que mais chamou minha atenção foi a Rússia. Fiquei admirado com sua extensão territorial e maravilhado ao saber que, naquela época, se tratava de um país comunista.

Embora eu soubesse muito pouco sobre o comunismo, aqueles conhecimentos me fascinavam. Como todo jovem sonhador, alimentava a esperança de um dia viajar e conhecer o mundo.

Durante a puberdade, tive dificuldades para me relacionar com as mulheres. Embora já sentisse despertar em mim o desejo de conquistar uma namorada, a dificuldade de comunicação era uma barreira: a timidez sempre falava mais alto, deixando-me transtornado e sem jeito. No entanto, por ter nascido e permanecido com o que era considerado uma “boa aparência”, as mulheres frequentemente facilitavam o início de um relacionamento.

Nessa época, eu ainda era bastante traumatizado por situações sociais triviais, como simplesmente andar na rua. Isso me incomodava profundamente. Não conseguia deixar de pensar que as pessoas estavam me observando. Tentava me relacionar, mas não conseguia. Era uma insegurança sem fim. Tudo se resumia a um profundo complexo de inferioridade.

Estava sempre em conflito comigo mesmo, cobrando-me constantemente, e isso me fazia sofrer, pois acreditava que fazia tudo errado. O tempo passava, e eu seguia lutando, tentando superar meus traumas.

Aos 17 anos, fiz o alistamento militar e passei a viver a expectativa dos exames de seleção. Tinha muita vontade de ser aprovado. Em maio de 1966, já com 18 anos, fui servir em Foz do Iguaçu, no 1º Batalhão de Fronteira. Até então, ainda estava entusiasmado com a possibilidade de seguir carreira, embora já questionasse o sistema mantido pelos governos militares. Fui incorporado à CCS (Companhia de Comando e Serviço).

No quartel, embora levasse uma vida regrada, tive a oportunidade de conhecer alguns companheiros estudantes que, discretamente, demonstravam simpatia pelos regimes de esquerda. Conversar sobre ideologias era arriscado naquela época, mas, às vezes, tínhamos a oportunidade de trocar ideias, e assim aprendi um pouco mais sobre o socialismo, inclusive sobre a luta do Capitão Lamarca, que então liderava um movimento guerrilheiro.

Eu permanecia no meu mundo fechado, com poucos amigos, sempre retraído, evitando participar de brincadeiras, mas observando tudo com atenção e questionando o mundo a partir dos fatos que chegavam por meio das notícias. Tirava minhas próprias conclusões, que acabavam alimentando minha autocrítica.

Depois de sete meses no quartel, algumas dezenas de soldados foram convocadas para realizar patrulhamento nas zonas rurais da região. Durante vinte dias, ficamos acampados em um estádio de futebol na cidade de Cascavel, no Paraná, de onde saíamos todas as manhãs em comboios.

Naquela época, ainda existiam extensas áreas de mata nas regiões de Laranjeiras do Sul, São Miguel do Iguaçu e Catanduvas. Nossa missão era vasculhar pequenas propriedades rurais, residências e paióis de cereais em busca de armas.

As informações repassadas a nós, recrutas, eram de que a missão tinha como objetivo encontrar focos de guerrilha ou armamentos possivelmente escondidos nessas localidades. Na prática, porém, encontramos apenas famílias humildes vivendo em casas muito simples. As armas apreendidas eram espingardas, garruchas e alguns revólveres. Absolutamente nada que pudesse ser considerado armamento de guerrilha; apenas armas civis comuns aos moradores daquela região rural.

Quando faltava menos de um mês para a baixa — desligamento definitivo ou temporário do serviço militar —, decidi não me engajar. Já havia chegado à conclusão de que não fazia sentido seguir aquela carreira, pois não concordava com o regime implantado pelos militares.

Após um ano de serviço, resolvi voltar para casa e, consequentemente, retomar o trabalho na lavoura com meu pai. Era um trabalho árduo, não pelo serviço em si, mas pelo difícil relacionamento que eu mantinha com ele, o que frequentemente resultava em discussões e brigas. Isso me tornava cada vez mais introspectivo e aumentava minha vontade de sair de casa definitivamente.

Isso só aconteceu cinco anos mais tarde, quando me casei.

Vida de casado, foram dois relacionamentos, a parte melhor desses relacionamentos foi a vinda de cinco filhos, que hoje são meu orgulho e minha fonte de inspiração.

A os 59 anos aconteceu o fim da segunda relação vida a dois, foi então que determinei a traçar um novo rumo focado em construir uma nova história.

Sou adepto ao pensamento que diz, “Nunca é tarde para recomeçar”   

 

Um marco na minha história

Tudo começou a mudar de verdade depois da minha separação. Ao decidir reconquistar minha liberdade conjugal, resolvi continuar sozinho, já que meus filhos não estariam mais ao meu lado.

A separação aconteceu em março de 2005, na Rodoviária Novo Rio, no Rio de Janeiro. Minha ex-esposa seguiu viagem com nossos três filhos para Cuiabá, enquanto eu, uma hora depois, embarquei para Belo Horizonte, em Minas Gerais, acompanhado apenas pela solidão.

A dor da separação, que já me atormentava durante a viagem entre o Rio de Janeiro e Belo Horizonte, tornou-se ainda mais intensa ao chegar ao meu destino. Naquele momento, ao encarar minha realidade, deparei-me com a imagem de um homem derrotado: aos 58 anos, sentia-me velho, sem aposentadoria, sem emprego e, agora, sem a família.

Naquela altura, só me faltava perder a família, pois os bens materiais já haviam desaparecido da minha vida. Mesmo assim, decidi seguir em frente sozinho.

Meu primeiro objetivo era reorganizar a minha vida. Isso era fundamental. Eu tinha plena consciência de que, embora o relacionamento tivesse chegado ao fim, a responsabilidade pelos filhos menores permanecia. Como pai, sempre procurei agir da forma mais responsável possível. Ainda hoje, porém, carrego um peso na consciência por não ter sido mais companheiro e mais presente na vida deles.

O que me consola é saber que nunca deixei faltar o essencial. Talvez outras necessidades domésticas tenham ficado em segundo plano, mas alimentação, roupas e calçados nunca lhes faltaram.

Em Belo Horizonte, fui morar de favor na casa de um irmão, que me acolheu e amparou naquele momento difícil. Devo a ele a continuidade da minha determinação de seguir em busca dos meus sonhos. Hoje, quando me recordo de quanto dependi de sua ajuda, pergunto-me o que teria sido da minha vida sem sua generosidade naquela fase de extrema dificuldade.

Se consegui dar um novo rumo à minha vida em uma situação tão adversa, foi graças ao apoio desse irmão, cuja solidariedade nunca esqueci.

ACERTO DE CONTAS COM A MINHA HISTÓRIA

A trajetória de vinte anos de escrita foi um período de reflexões e de busca por entendimento sobre a vida. Nesse processo, passei a valorizar ainda mais o amor, a empatia e a compaixão.

Foi ao longo desse tempo que descobri que a salvação está na consciência: ela acontece após um acerto de contas consigo mesmo. Na verdade, quando fazemos esse acerto de contas, passamos a sentir uma profunda paz interior. Foi assim que perdi o medo da morte.

Hoje, vivo verdadeiramente em paz e passei a ver e aceitar a morte como um sono, um descanso eterno. Embora a morte seja algo natural, ela desperta medo. Esse medo, porém, deixa de existir após o acerto de contas com as ações antiéticas e desumanas praticadas ao longo da vida. Isso é a salvação consciente.

Quando, depois de algumas décadas de vida, sua alma lhe transmitir um sentimento de arrependimento; quando ela lhe manifestar o desejo de pedir perdão, você compreenderá que o caminho da felicidade e da salvação consiste em estar sempre em paz com a própria consciência, com a certeza de estar dando o melhor de si em prol do bem da Humanidade. 

Nova vida, nova realidade depois que passei a valorizar mais o amor, a empatia e a compaixão.

Meu Mundo de Reflexões

“Convenço-me de que contribuir, de alguma forma, para o amanhã das futuras gerações é um dos mais nobres deveres do ser humano.”

Diante das crueldades e contradições que marcam a existência humana, minha imaginação conduz-me a uma convicção cada vez mais sólida: existe uma missão que une todos os seres humanos. Creio que cada pessoa carrega consigo uma responsabilidade perante o futuro da humanidade. Não somos apenas herdeiros do passado; somos também construtores do amanhã. Por isso, contribuir, ainda que modestamente, para um futuro melhor é um dever que transcende interesses individuais e alcança o sentido mais profundo da existência.

Enquanto nossos filhos e netos representam o futuro, nós, os mais velhos, somos a ponte entre o que já foi e o que ainda será. Somos a memória viva da caminhada humana e, por essa razão, temos a obrigação moral de lutar por um mundo mais justo, mais digno e menos cruel para aqueles que virão depois de nós.

Diante da imensidão do Universo e da extraordinária capacidade intelectual da espécie humana, parece-me contraditório acreditar que nossa passagem pela vida se resuma ao papel de simples passageiros. Há algo maior em nossa existência. Há um chamado silencioso para participar da construção contínua da civilização e do aperfeiçoamento da condição humana.

Na busca incessante por respostas, volto-me para a própria natureza. É nela que procuro compreender a origem e o significado da vida. Em minhas reflexões, fortalece-se a convicção de que somos fruto de um longo processo evolutivo e de que nossa singularidade reside no fato de sermos natureza consciente de si mesma.

Quando contemplamos o surgimento da vida humana, percebemos o quanto nossa existência é extraordinária. A cada dia desfrutamos de dádivas que frequentemente passam despercebidas: o ar que respiramos, a água que sacia nossa sede, a luz que ilumina nossos caminhos e a terra que produz nosso alimento. A natureza não apenas sustenta nossa sobrevivência; ela também oferece beleza, encantamento e oportunidades de contemplação.

Além disso, as relações humanas enriquecem nossa jornada com afeto, amizade, amor e companheirismo. São experiências que conferem sentido à vida e alimentam nossa felicidade. Soma-se a tudo isso a mais admirável de nossas capacidades: a inteligência. É ela que nos permite compreender o mundo, criar, transformar e sonhar. É ela que faz nascer o conhecimento, a arte, a ciência e a cultura.

Cada cérebro humano abriga um universo singular, repleto de possibilidades ainda desconhecidas. Contudo, geração após geração, milhões desses universos deixam de florescer, vítimas da desigualdade, da ignorância, da miséria e da falta de oportunidades. Trata-se de uma das maiores perdas da humanidade.

Vejo a trajetória humana como uma longa caminhada através do tempo. Essa caminhada possui uma direção e um propósito: aproximar a humanidade de um estágio cada vez mais elevado de realização, dignidade e felicidade. O verdadeiro progresso não deve ser medido apenas por conquistas materiais ou avanços tecnológicos, mas pela sabedoria com que aprendemos a viver uns com os outros.

Quanto mais sábia se torna uma sociedade, maiores são suas chances de construir um mundo mais humano. E quanto mais humano for esse mundo, mais próximos estaremos daquilo que talvez seja o destino mais nobre da existência: transformar a inteligência em sabedoria, a sabedoria em justiça e a justiça em felicidade para todos.

“Cada cérebro humano abriga um universo singular, repleto de possibilidades ainda desconhecidas. Contudo, geração após geração, milhões desses universos deixam de florescer..

Toda luta e todo sacrifício não devem ser dedicados ao estranho, ao incerto ou ao desconhecido, como pregam algumas religiões.

A grandeza universal, a perfeição das espécies, a harmonia do Universo, cada elemento cumprindo sua finalidade e, acima da perfeição do corpo humano, a extraordinária capacidade da inteligência, não são frutos do acaso. Tudo converge para um propósito maior: a máxima realização da própria espécie.

A plenitude não se alcança de imediato; ela é conquistada por meio de uma longa jornada chamada evolução.

“Não quero acreditar que a humanidade exista apenas para viver, como uma árvore que nasce, produz seus frutos e depois morre. Deve haver um significado maior para a nossa existência, um destino que transcenda a simples passagem pelo mundo.”

Tanta grandeza, tanta perfeição não pode ser obra do acaso

Recortes da minha história

Minhas ideias são frutos colhidos ao longo de vinte anos de persistência. Foram milhares de horas de solidão e muita curiosidade, que me levavam a permanecer até altas horas da madrugada navegando pela internet.

Hoje, sinto uma leveza na consciência e compreendo que poderia ter sido útil à Humanidade defendendo causas sociais. Mas também entendo que todo ser humano é fruto de sua formação — uma formação que eu não tive.

Nesta última fase da vida, descobri que o futuro existe em qualquer idade. Não é porque se tem sessenta anos ou mais que se deixa de sonhar. Descobri que os poucos anos de vida que nos restam podem ser o tempo necessário para uma grande realização.

Dentro do meu inconformismo com a Humanidade e com a forma como ela se organiza, também estava a minha própria realidade: uma vida desorganizada e sem rumo. Eu atravessava a fase mais difícil dos meus cinquenta e oito anos de existência, vivendo a ressaca de uma separação, enfrentando uma situação financeira caótica e ainda convivendo com sérios problemas de saúde.

Perdia noites de sono pensando que meu tempo e minhas oportunidades haviam passado, mas não me dava por vencido. Às vezes, acreditava ter chegado ao fim de uma procura frustrada por não encontrar respostas. No entanto, meu subconsciente insistia em dizer que minha passagem por esta vida possuía uma finalidade.

Prevalecia em mim a certeza de que, por meio da inteligência, a espécie humana poderia alcançar um estágio de felicidade plena e de profunda motivação pela vida. Se tudo nesta existência é feito de momentos, e se esses momentos são fugazes, então nossa consciência nos permite enxergar a sociedade em sua totalidade. Talvez por possuir essa visão política, social e econômica, sempre acreditei que a vida fosse muito mais do que aquilo que vemos. Se existe uma Força Criadora, ela não teria deixado ao ser humano apenas a fraqueza de não saber lidar com os males que o afligem.

Embora muitas vezes me considerasse velho, o desânimo ocasionalmente me alcançava. Eu imaginava que meu futuro se resumiria a apenas mais alguns anos de existência. Ainda assim, insistia na busca pelo conhecimento e pela compreensão da vida. Não concordava com a realidade desastrosa da Humanidade e tampouco aceitava que, apesar de tantos avanços tecnológicos, ainda estivéssemos tão distantes de uma convivência mais justa e harmoniosa. Mantinha a convicção de que a natureza possui todos os recursos necessários para proporcionar boa qualidade de vida  a espécie humana.

Não sofro pelos meus próprios problemas, embora tenha enfrentado muitos ao longo da minha trajetória. Não sofro por ser velho nem por possuir poucos recursos financeiros. Sofro quando me vem à mente o cenário de crueldades e barbáries que atinge parte da Humanidade, causando dor, sofrimento e lágrimas.

Carrego a convicção de que, se Deus criou o ser humano e lhe concedeu os recursos necessários para alcançar a plenitude, então esse deve ser o compromisso de cada pessoa: evoluir e ser feliz.

É nisso que acredito. Foi nessa crença filosófica que encontrei o sentido de viver. Foi nela que descobri que a vida vale a pena, não pela obtenção de dinheiro ou de bens materiais, mas pela consciência do processo de estar vivo.

Não me incomoda pensar que sou o único seguidor do meu conceito de religiosidade; o que importa é a minha convicção. Descobri que não existe grande sabedoria sem o amor racional. Descobri também que é verdadeira a ideia de que, para mudar o mundo, é preciso primeiro mudar o próprio homem.

Se no poder inteligente temos tudo para construir o mundo ideal, simplesmente penso que não era para ser assim.

 

Não consigo acreditar que a natureza seja fruto do nada.

Em resumo, na minha concepção, as coisas verdadeiramente sagradas são aquelas que sustentam a vida. Sagrada é a luz do Sol, da qual depende toda a natureza. Sagrada é a inteligência, da qual nasce a ciência que cura doenças, salva vidas e amplia o conhecimento humano. Sagrado é o ar que respiramos. Sagrada é a água que sacia nossa sede. Sagrada é a terra que nos fornece alimento e torna possível a existência.

São sagradas porque são essenciais à vida e à natureza, da qual fazemos parte.

Passei a compreender que não necessitamos de Deus como uma presença permanente intervindo em nossas ações, uma vez que Ele já nos concedeu a inteligência, a consciência e a liberdade de pensar. Deu-nos também a capacidade de curar as feridas da Humanidade e de construir nosso próprio destino.

Com essa compreensão, assumo a minha religiosidade: uma religiosidade fundamentada no existencialismo, inspirada pelos princípios da natureza e pela convicção de que Deus é uma abstração, enquanto o Seu poder se manifesta de forma concreta na realidade que nos cerca.

Não existem argumentos capazes de comprovar definitivamente a existência da divindade, mas existem evidências que, para mim, revelam a presença de um poder criador. Particularmente, percebo essa manifestação na grandiosidade, na harmonia e na perfeição do Universo.

Na minha imaginação, isso representa tudo. É o alicerce sobre o qual encontrei sentido, motivação e razão para viver.

Até pouco tempo atrás, carregava o peso do medo da morte. Hoje, porém, vejo a morte de outra maneira. Encaro-a como descanso, como o sono eterno que sucede a jornada da vida.

Como chegar ao final da vida sem pensar que a morte é a pior coisa do mundo?

Foi tão importante compreender o sentido da vida que hoje enxergo a morte com naturalidade. Sinto que ela será reconfortante quando, na velhice, eu tiver a consciência de que deixei alguma contribuição voltada ao progresso da Humanidade e à evolução social.

“Deus é abstração, mas o poder d’Ele é concreto.”

Esses questionamentos conduziram-me a respostas conceituais sobre como enfrentar a velhice sem o medo de morrer. Uma dessas respostas aponta para a necessidade da autoconfissão, isto é, de uma profunda reflexão sobre as ações que praticamos e que, de alguma forma, prejudicaram a vida de outras pessoas.

Pedir perdão pelas minhas grosserias e pela minha estupidez; às pessoas que magoei e fiz sofrer; pelas dores que causei aos meus pais; pelas lágrimas que minha mãe derramou em razão das minhas atitudes. Enfim, reconhecer a injustiça e a ingratidão que, em determinados momentos, cometi contra algumas pessoas.

Quando o arrependimento tocar o coração e a consciência revelar que muitas coisas poderiam ter sido diferentes; quando surgir o desejo sincero de pedir perdão àqueles que se sentiram magoados, virá também uma sensação de alívio e conforto, acompanhada do entendimento de que todos nós cometemos erros.

Então nos lembraremos de que não fomos preparados para amar. Pouco nos ensinaram sobre compaixão, empatia e compreensão humana.

Todo ser humano é resultado de sua formação.

“A vida não é obra do acaso. A vida não existe apenas para ser vivida. Temos o compromisso de contribuir para a evolução social e para o aperfeiçoamento da condição humana.” 

A vida não é obra do acaso.

O LEGADO

Deixar ideias registradas para a posteridade pode ser um legado valioso. Foi nisso que sempre pensei. Nunca abandonei o desejo de registrar meus ideais e minha visão de mundo.

Tomar essa decisão não foi fácil. Expor a própria vida exige coragem, principalmente quando não se possui uma trajetória marcada por sucessos extraordinários.

Não tenho formação acadêmica e conheço meus limites. Por isso, não pretendo me apresentar como historiador, filósofo, teólogo ou especialista em qualquer área do conhecimento. Defino-me, antes de tudo, como um curioso persistente, um observador inquieto e um teimoso que desejou compreender um pouco de tudo.

No fundo, sou alguém que gosta de refletir e opinar sobre questões relevantes da sociedade, da política, da geopolítica e da condição humana.

Sou considerado polêmico por sustentar ideias diferentes das que predominam. Faço parte de uma minoria de pensamento e carrego comigo um espírito questionador e inconformado.

Jamais defenderia publicamente minhas convicções políticas, filosóficas ou religiosas se pensasse exatamente como a maioria. A divergência faz parte da busca pelo entendimento e do exercício da liberdade de pensamento.

A única certeza que deixamos ao passar por este mundo é a nossa história. Foi essa compreensão que despertou em mim o desejo de registrar minha visão sobre a Humanidade, sobre a vida e sobre o mundo em que vivemos.

Não tenho a pretensão de convencer ninguém. O verdadeiro convencimento é obra do tempo. Entretanto, levo comigo a convicção de que a História reconhecerá aqueles que estiveram ao lado da justiça, dos que cultivam amor pela Humanidade, dos que combatem as desigualdades e dos que se recusam a aceitar a indiferença diante do sofrimento humano.

Tenho cinco filhos. Amo todos profundamente e me preocupo com a felicidade de cada um deles. No entanto, diferentemente da maioria das pessoas, compreendo que o bem-estar da família depende também da qualidade da sociedade em que ela vive.

Não existe felicidade isolada. Não existe prosperidade duradoura em meio ao sofrimento coletivo. A verdadeira felicidade familiar só pode florescer em uma sociedade organizada, culta, justa e humanista.

“Família verdadeiramente feliz só existirá quando todas as famílias tiverem a oportunidade de ser felizes.

Tenho cinco filhos. Amo todos profundamente e me preocupo com a felicidade de cada um deles. No entanto, diferentemente da maioria das pessoas, compreendo que o bem-estar da família depende também da qualidade da sociedade em que ela vive.

Não existe felicidade isolada.

A verdadeira felicidade familiar só pode florescer em uma sociedade organizada, culta, justa e humanista.

 

Foi dessa inquietação, dessa busca por sentido e desse inconformismo com a realidade que nasceu o encontro com aquilo que passei a chamar de razão da vida.

O segredo para envelhecer de bem com a vida está na consciência de que, enquanto enfraquecemos fisicamente, podemos fortalecer a mente, tornando-nos mais sábios.

Preparar-se para a velhice é preparar-se para a fase mais importante da vida, quando a experiência acumulada pode se transformar em sabedoria e legado.

“Família verdadeiramente feliz só existirá quando todas as famílias tiverem a oportunidade de ser felizes”.

 

A LUTA PELO SABER

Na minha intensa teimosia pela busca do saber, encontrei explicações para questões relacionadas à política, à religiosidade, aos interesses por riqueza e poder, às chamadas organizações secretas e à influência dos meios de comunicação quando desvinculados do compromisso com a ética. Nesses casos, a mentira, a omissão e a manipulação podem servir de base para narrativas desonestas.

Tudo nasce do poder de pensar. As crenças religiosas, os livros sagrados, as divindades e os dogmas são construções desenvolvidas pela mente humana ao longo da história.

Alcançar a verdadeira felicidade é uma possibilidade real concedida à espécie humana.

Os povos são resultado de processos de formação social, cultural e educacional que, muitas vezes, refletem os interesses daqueles que exercem o poder. Por isso, não devemos atribuir todos os fracassos da vida à culpa individual ou a uma vontade divina. Muitos erros acontecem pela falta de oportunidades, pela ausência de uma formação adequada ou em consequência de desequilíbrios e traumas emocionais, frequentemente adquiridos na infância.

“O segredo para ser livre de verdade é saber dizer NÃO no momento certo.”

O ser humano é capaz de investir fortunas na destruição do seu semelhante, quando poderia empregar recursos muito menores para combater a fome, a miséria e o sofrimento.

Acredito que a existência humana reúne todas as condições necessárias para prosperar. A natureza oferece recursos extraordinários, e a inteligência humana possui potencial para construir uma sociedade mais justa, equilibrada e feliz.

A lógica de não acreditar no Deus das religiões encontra fundamento na crença de uma força criadora universal, uma energia primordial que pode ser compreendida como a origem da existência.

Acreditar na força da inteligência é reconhecer que a complexidade da vida e a grandiosidade do Universo dificilmente passam despercebidas à reflexão humana. Para mim, a capacidade de pensar, criar e compreender representa uma das maiores manifestações desse poder criador.

Deus não entrega a felicidade pronta; se existe uma força criadora, ela apenas disponibilizou as condições para que o ser humano a encontre por meio de suas escolhas, de sua consciência e de sua evolução.

A vida racional necessita de um propósito.

Sem propósito, corre-se o risco de atravessar a existência apenas sobrevivendo.

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