Deus, a vida e o poder inteligente talvez constituam um dos temas mais relevantes da filosofia.
Uma pergunta me intriga: se Deus existe, por que não nos deixou a certeza da salvação? Acredito que a lógica da existência humana esteja, de alguma forma, relacionada à salvação consciente. No meu entendimento, porém, cabe ao próprio ser humano descobrir o caminho para alcançá-la – e esse caminho passa pela conquista da dignidade.
Então, qual caminho pode nos conduzir à verdadeira salvação?
A resposta que encontrei me conforta e me faz acreditar que a vida é muito mais do que imaginamos. Todo ser humano compartilha uma mesma missão: empenhar-se na busca da verdadeira felicidade. Contudo, ninguém pode ser plenamente feliz ignorando a pluralidade, a empatia, e o bem-estar de seus semelhantes. Todos deveríamos participar dessa construção coletiva, capaz de dignificar a passagem da humanidade pelo planeta.
“Não existe outro caminho que conduza a uma nova realidade senão a crença na racionalidade.”
Encontrar uma resposta para a questão da verdadeira salvação foi como descobrir a luz que me faltava. Compreendi que minha salvação estava ao meu alcance. Também percebi que os sacrifícios fazem parte da vida e que as grandes conquistas exigem uma luta orientada por objetivos.
Foi com esse pensamento que decidi dar um rumo à minha vida e seguir em busca de uma nova realidade. Caso contrário, chegaria à velhice sofrendo as consequências de uma existência vazia.
Minha fé na racionalidade é profunda. Por meio dela, vislumbrei a possibilidade de uma conexão com Deus através de uma força cósmica inteligente. Não apresento essa percepção como uma certeza comprovável, mas como uma convicção que dá sentido à minha existência.
Diante da minha aparente insignificância, talvez eu não possa transformar o mundo como gostaria. Ainda assim, posso pensar sobre ele, compartilhar minhas ideias e transmitir minhas reflexões. Uma ideia, quando encontra outras consciências, pode ultrapassar os limites de quem a concebeu.
O ser humano realizou descobertas antes inimagináveis, mas ainda não respondeu plenamente às perguntas mais fundamentais: a que veio e por que vive? Por isso, considero que uma das tarefas essenciais da vida é conquistar a própria dignidade.
Assumo minha luta particular com fé na possibilidade de alcançar a salvação por meio da consciência. Não consegui fazer minha parte como gostaria. Talvez tenha seguido caminhos equivocados, mas tentei – e continuo tentando.
Levo comigo o pesar diante da realidade desastrosa da humanidade. Ainda assim, acredito que a dignidade se revela na consciência, nas escolhas e no esforço para viver de maneira responsável perante os outros.
Nos últimos anos da vida, quando olhamos para trás e reconhecemos que tentamos, da melhor maneira possível, cumprir nosso papel como seres humanos, encontramos uma forma de dignidade. Ela não está na perfeição, mas na consciência de que procuramos aprender, agir e contribuir.
Quando tudo parecia perdido, lembrei-me de que ainda possuía o poder de pensar. E enquanto o pensamento estiver vivo, também permanecerá viva a possibilidade de escolher, transformar-se e recomeçar
Zé Meireles
ENTENDER A VIDA
sempre querendo entender a vida e o Universo, um dia, em uma das muitas viagens que fazia, ao volante de caminhão, passei a fazer uma viagem diferente através da imaginação, pensando na grandiosidade do nosso Planeta, fui até a lua, dá lua passei por outros planetas e cheguei até os confins do sistema solar, foi então que parei e vi outras galáxias, e perguntei; até onde vai tudo isso? Foi então, que voltei para o meu acento atrás do volante e disse: realmente, eu não sou nada.