POR QUE CRIEI, EM MINHA MENTE  o Mundo de Zé Meireles.

 

 Jamais deveríamos normalizar a cruel realidade humana

Muitas pessoas talvez se perguntem por que criei esse lugar imaginário chamado Mundo de Zemeireles.

A resposta é simples: porque nunca consegui aceitar que a dor, a injustiça, a violência e ignorância, representem o destino definitivo da humanidade.

Minha maneira de enxergar a vida me leva a acreditar que a plenitude da humanidade não é apenas um sonho distante. Vejo a como uma possibilidade concreta. Talvez não para a minha geração, talvez nem para as próximas, mas como um horizonte para o qual a inteligência humana pode e deve caminhar. Ou, melhor dizendo, deveria estar caminhando.

E então me pergunto: por que ainda tropeçamos nas mesmas pedras?”

Ao me aprofundar em reflexões sobre o Universo contemplo a grandiosidade da Terra, vejo um verdadeiro paraíso. Um planeta capaz de oferecer água, alimentos, florestas, rios, oceanos e uma diversidade de vida que, até onde sabemos, não encontramos em nenhum outro lugar conhecido.

Além desse paraíso, recebemos uma dádiva ainda maior: a inteligência.

No meu entendimento foi essa inteligência que tornou o ser humano diferente dos demais seres vivos. Não para dominar pela força, mas para compreender, aprender, criar, cuidar e construir uma civilização cada vez mais justa.

Se possuímos um planeta tão extraordinário e uma inteligência capaz de transformar a realidade, por que convivemos com tanta dor?

Por que milhões de crianças ainda morrem de fome?

Por que mães continuam chorando seus filhos mortos nas guerras e no mundo das drogas?

Por que aceitamos que tantos seres humanos vivam sem dignidade enquanto outros acumulam riquezas inimagináveis?

Essas perguntas sempre me acompanharam. Foi delas que nasceu o Mundo de Zemeireles.

Ele não é um lugar geográfico. É uma forma de pensar. É uma maneira de olhar para a humanidade acreditando que ela ainda pode evoluir.

Um mundo em que a inteligência seja colocada acima da ignorância, a ciência acima do obscurantismo, a solidariedade acima do egoísmo e a dignidade humana acima de qualquer interesse econômico ou político.

No Mundo de Zemeireles, o progresso não é medido apenas pela riqueza material. Ele é medido pela capacidade de reduzir o sofrimento humano. Quanto menos lágrimas houver, mais evoluída será uma civilização.

Acredito que a verdadeira grandeza da espécie humana não estará apenas nos prédios mais altos, nas máquinas mais sofisticadas ou nas maiores fortunas.

Estará na capacidade de eliminar a fome, reduzir as injustiças, preservar a natureza e oferecer às futuras gerações uma vida mais digna.

Certamente, esse mundo ainda esteja quinhentos anos à frente. Certo é que não verei essa nova civilização. Mas isso não diminui minha esperança.

Toda grande transformação começou um dia como uma ideia considerada impossível. Antes de existir na realidade, ela existiu na mente de alguém que ousou imaginar um futuro diferente.

Hoje, já caminhando para o final da minha passagem por este mundo, levo comigo uma convicção: a humanidade tem condições de construir algo muito melhor, algo que lhe de dignidade a existência humana.

Se minhas reflexões conseguirem inspirar algumas pessoas a pensar sobre a responsabilidade da inteligência humana, já terei cumprido minha missão.

Esse mundo novo não será construído por uma única pessoa, só é possível pensar nele no coletivo.

Gostaria que essa construção se tornasse uma realidade e que eu pudesse representar apenas um único tijolo nessa grande obra.

Porque acredito que representar um único tijolo na construção de uma nova civilização global, mais consciente, mais justa e mais feliz, é conquistar a própria dignidade existencial.

Ninguém constrói uma grande obra sozinho. Cada pessoa pode representar uma única peça nessa construção. Acredito que é nessa simples analogia que se encontra uma das mais belas explicações para a finalidade da vida humana. Foi assim que encontrei o sentido da minha própria existência. Isso é tudo!!

Esse é o verdadeiro significado do Mundo de Zemeireles.

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