
Capitulo 06
LEGADO: a certeza de se eternizar
História; a única coisa que ninguém tira de você, mesmo depois da partida definitiva
Deixar ideias registradas para a história pode ser um legado valioso. Sempre pensei nisso e nunca abandonei o desejo de escrever um livro.
Expor a própria vida, porém, é uma decisão difícil. Foi necessário refletir muito, talvez por eu não considerar minha trajetória uma história marcada por grandes sucessos. Ainda assim, compreendi que o valor de uma vida não está apenas nas conquistas reconhecidas, mas também nas experiências, nos aprendizados e nas ideias que deixamos pelo caminho.
Não tenho formação acadêmica e conheço meus limites. Por isso, não pretendo me apresentar como historiador, filósofo ou teólogo. Defino-me como um curioso e persistente observador da vida, alguém que sempre quis compreender um pouco de tudo.
No fundo, sou um crítico que gosta de opinar sobre questões relevantes, inclusive a respeito da sociedade e da geopolítica. Algumas pessoas podem considerar minhas ideias polêmicas por serem diferentes das opiniões predominantes. Faço parte de uma minoria que conserva pensamentos inquietos e sentimentos transformadores.
Não faria sentido defender publicamente minhas convicções políticas ou religiosas se eu apenas repetisse o pensamento da maioria. Minhas ideias nascem do questionamento, da reflexão e da necessidade de observar o mundo por outros ângulos.
Uma das poucas certezas que temos nesta passagem pela vida é que deixamos uma história. É isso que desperta em mim o desejo de registrar minha visão, minhas ideias e minha compreensão sobre a humanidade e o mundo em que vivemos.
Não me considero ateu. Acredito que a existência da criação aponta para a existência de um Criador. É a esse Criador que, na minha convicção, chamo de Deus.
Tudo se resume à consciência. Aprender a ouvi-la é o maior desafio do ser humano.
Não tenho a intenção de convencer ninguém, até porque certos entendimentos somente o tempo pode proporcionar. Entretanto, levo comigo a convicção de que procurei permanecer do lado que considero justo: o lado daqueles que amam a humanidade, combatem as desigualdades, questionam as injustiças e se recusam a aceitar passivamente tudo o que lhes é imposto.
Talvez os acomodados sejam mais tranquilos por acreditarem que o mundo deve permanecer como está. Eu, porém, prefiro estar ao lado dos inquietos, daqueles que questionam, sonham e lutam por transformações.
Apesar das desigualdades, ainda escolho acreditar na humanidade. Esse é o legado que desejo deixar.
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Capitulo 07
ENTENDER A VIDA
Entre Estradas e Estrelas
Zé Meireles
Sempre carreguei dentro de mim uma inquietação difícil de explicar. Uma vontade constante de entender a vida, os caminhos que ela escolhe para nós e, principalmente, o mistério do universo que nos cerca. Enquanto muitos simplesmente seguem vivendo seus dias, eu sempre carreguei perguntas que pareciam não ter respostas: Quem somos? De onde viemos? Para onde vamos? E qual é, de fato, o nosso lugar em meio a tudo isso?
Em uma das muitas viagens que fiz pelas estradas da vida, certa madrugada, ao volante de um caminhão, percorrendo uma das longas estradas de Mato Grosso, cercado pelo silêncio da noite e pelo brilho distante das estrelas, algo diferente aconteceu.
O ronco constante do motor parecia se misturar aos meus pensamentos, e minha mente começou uma viagem que nenhum mapa seria capaz de mostrar.
Enquanto minhas mãos permaneciam firmes ao volante, minha imaginação me levou para muito além do asfalto.
Primeiro, contemplei a grandiosidade do nosso planeta, essa pequena esfera azul perdida na imensidão do universo. Vi oceanos, montanhas, florestas e cidades. Pensei em quantas vidas, histórias, sonhos, alegrias e sofrimentos existem aqui.
Mas minha viagem não parou ali.
Fui até a Lua, nossa silenciosa companheira, que tantas vezes ilumina nossos caminhos na escuridão. De lá, segui por outros planetas, admirando mundos gigantescos, desertos congelados, tempestades eternas e paisagens onde nenhum ser humano jamais pisaria.
Continuei avançando, ultrapassando os limites do nosso sistema solar. Diante de mim surgiam outras estrelas, outros sistemas, outras galáxias espalhadas pela imensidão do espaço. Bilhões delas. Talvez trilhões.
Distâncias impossíveis de medir. Dimensões que a mente humana mal consegue compreender.
Naquele momento, uma pergunta surgiu dentro de mim com uma força impossível de ignorar:
Até onde vai tudo isso?
Certamente, nem a ciência tem a resposta.
Então voltei.
Voltei para minha cabine, para o banco atrás do volante, para a estrada escura diante de mim. Olhei para minhas mãos, ouvi novamente o ronco do motor e senti o peso da realidade.
Depois de viajar, ainda que apenas com a imaginação, por uma imensidão que parecia não ter fim, percebi que havia algo extraordinário bem diante de mim: o próprio mundo em que vivemos.
E, em silêncio, disse a mim mesmo:
“Pois ainda não nos demos conta de que temos um paraíso sob nossa responsabilidade — e que dele depende o futuro da própria humanidade.”
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Capitulo 08
DEUS E O DIABO NO MUNDO DE ZEMEIRELES
Nessa leitura trago as duas divindades para o campo da filosofia e dos fatos
É possível trazer a ideia de divindade do mundo dogmático para o campo da consciência
O dogmatismo pode ser compreendido como uma das maiores barreiras ao conhecimento, pois, onde existe certeza absoluta, muitas vezes desaparece a disposição para investigar os fatos. Quando a mente se fecha em verdades consideradas inquestionáveis, perde a capacidade de observar a realidade em toda a sua complexidade.
Nesse sentido, o dogmatismo dificulta a descoberta dos fatos, porque a verdade deixa de ser construída por meio da experiência, da razão e da observação e passa a ser apresentada apenas como imposição.
Ao mergulharmos na reflexão sobre os dogmas e a realidade, podemos interpretar Deus e o Diabo não apenas como entidades sobrenaturais, mas também como símbolos presentes na consciência humana. Sob essa perspectiva, o inferno revela-se uma realidade construída pelo sofrimento, enquanto o paraíso se apresenta como uma possibilidade ao alcance da inteligência, da sabedoria e das ações humanas.
Ao refletirmos sobre o bem e o mal, percebemos a existência de dois campos distintos na consciência. De um lado, Deus representa a força criadora, a sabedoria, a compaixão e a evolução moral. Do outro, o Diabo simboliza a ignorância, o atraso, a perversidade e a destruição dos valores humanos.
Os valores humanos relevantes representam Deus
No campo em que Deus se torna a palavra-chave, encontram-se os valores mais elevados da existência. O primeiro deles é a determinação de buscar o saber. O conhecimento liberta, amplia horizontes e permite ao ser humano compreender a si mesmo e o mundo.
Dessa busca nasce o amor em sua dimensão mais ampla, não apenas como sentimento individual, mas também como consciência coletiva. Surge a empatia: a capacidade de reconhecer a dor do outro, respeitando a dignidade de cada ser humano e, igualmente, a dos animais.
Nesse campo, Deus não se limita a uma figura religiosa. Representa também a indignação diante das injustiças e a recusa em aceitar o sofrimento como se ele fosse natural ou inevitável.
Deus está presente quando a ciência é reconhecida como ferramenta essencial para reduzir o sofrimento humano. Manifesta-se quando, geração após geração, o conhecimento é empregado para curar doenças, combater a fome, superar preconceitos e construir uma sociedade mais justa.
Deus também se revela na coragem de lutar para que a justiça não seja privilégio de poucos, mas um direito de todos. É nesse campo de consciência e ação que a força de Deus se torna real.
As ações nocivas à humanidade representam o Diabo
Em oposição, existe o campo simbólico do mal, no qual o Diabo representa a ignorância organizada. Nesse espaço, a ausência de conhecimento alimenta a insensibilidade moral e a perversidade humana.
A mentira, unida à hipocrisia, transforma-se em instrumento de manipulação coletiva e cria multidões incapazes de questionar aquilo que lhes é imposto. Nesse ambiente, o sofrimento alheio perde importância, a compaixão desaparece e a violência passa a ser tratada como algo normal.
No campo dominado pelo mal, deixam de existir limites claros para a barbárie. A tortura é justificada, a humilhação é banalizada e a exclusão daqueles que são considerados diferentes torna-se uma prática comum.
O ser humano deixa de enxergar o outro como seu semelhante e passa a vê-lo como objeto, ameaça ou instrumento. É esse conjunto de ações destrutivas que, simbolicamente, representa o Diabo.
O inferno construído pelos seres humanos
Quando observamos a intensidade do sofrimento existente no mundo, surge uma reflexão perturbadora: acredito não existir outro inferno além daquele criado pelos próprios seres humanos.
Não existe espaço para outro Diabo além daquele que se manifesta por meio da ignorância, da crueldade e da indiferença. O inferno não estaria em outra dimensão, mas nas estruturas sociais, políticas e culturais que permitem a repetição das injustiças.
Assim, Deus e o Diabo não estariam apenas nas narrativas religiosas ou mitológicas, mas também nas escolhas humanas de cada dia. Em cada ato de amor ou crueldade, em cada decisão orientada pela verdade ou pela mentira, em cada gesto de compaixão ou indiferença, o ser humano define qual desses campos fortalecerá dentro de si e no mundo ao seu redor.
Diante de tantas barbáries já praticadas pela humanidade, acredito que não existir sequer espaço para imaginar um Diabo exterior. O próprio ser humano, quando abandona a razão, a empatia e o respeito pela vida, torna-se capaz de produzir todo o mal que atribui a ele.
Deus manifesta-se na consciência que cria, protege e transforma. O Diabo revela-se na ignorância que destrói, oprime e desumaniza.
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Capitulo 09
SUPERAÇÃO
Quando a Inteligência Encontrou um Propósito”
Você já imaginou que o ser humano pode conectar o poder de pensar a uma força maior, que muitos chamam de Deus?
Essa é uma convicção que nasceu da minha própria experiência.
Descobri que a inteligência, quando associada à fé e reconhecida como uma das maiores dádivas concedidas pelo Criador ao ser humano, torna-se uma luz capaz de iluminar os momentos mais difíceis da existência.
Quando tudo parecia perdido, me lembrei do poder de pensar.
Não foi por acaso, nem por um milagre que resolveu meus problemas de um dia para o outro. A mudança começou quando compreendi que a ferramenta de que eu mais precisava já existia dentro de mim.
Bastava acreditar, persistir e desenvolver aquilo que considero o maior presente concedido pelo Criador: a inteligência.
Ao completar sessenta anos, minha realidade parecia não oferecer perspectivas. Foi justamente nesse período que comecei a enxergar a vida de outra maneira.Passei a acreditar que, se Deus nos concedeu a inteligência, não foi apenas para sobreviver, mas para compreender, aprender, superar dificuldades e desejo de contribuir para um mundo melhor.
Se Deus é perfeito, também nos ofereceu o recurso mais poderoso para enfrentar nossos desafios: a capacidade de pensar, aprender, criar, corrigir os próprios erros e evoluir.
Essa convicção contribuiu na transformação da minha caminhada.
Nas últimas duas décadas, viver deixou de significar apenas enfrentar o tempo. Passei a cultivar uma sede permanente por conhecimento.
Aprender tornou-se meu alimento para a alma, e cada nova descoberta renovava minha esperança.
Minha maior conquista não foi acumular bens materiais, mas construir um campo permanente de aprendizado.
Na internet encontrei a escola que eu precisava. Cada experiência, cada livro, cada conversa e cada reflexão passaram a fazer parte desse processo de aprendizado.
Enquanto tiver lucidez, quero continuar sendo aluno dessa escola chamada mundo.
Porque acredito que aprender é uma das formas mais belas de agradecer ao Criador pelo dom da inteligência e pela oportunidade de existir.
Durante os vinte e um anos de isolamento, as pessoas conheciam minha luta diária no trabalho com o bar. O que ninguém sabia era que, por trás daquela rotina, existia um forte propósito que me inspirava.
Eu carregava uma grande determinação. Mais do que apenas ter garra no trabalho, eu estava decidido a me superar como pessoa.
As pessoas mais próximas conheciam minha rotina de poucas conversas, minha dedicação ao trabalho e minha vida praticamente restrita ao espaço do comércio.
Não existiam feriados. O compromisso era de segunda a segunda.
Quando não estava atendendo os fregueses, eu estava diante da tela do computador.
O que ninguém sabia era qual era o meu propósito e onde eu pretendia chegar.
Embora tivesse pouco estudo, sempre pensei grande.
Muito cedo desenvolvi interesse por conhecimentos básicos sobre geopolítica, sociedades, política e história. A busca pelo conhecimento passou a formar a base da minha caminhada.
Eu sabia que não poderia continuar levando uma vida sem direção. Eu não poderia continuar repetindo os mesmos erros.
Mas, já aos sessenta anos, algumas vezes pensava que talvez meu tempo tivesse acabado. Isso me assustava.
Eu tinha consciência de que ainda poderia buscar um emprego como motorista de ônibus ou caminhão, profissão que exerci durante muitos anos.
Porém, essa escolha provavelmente me afastaria do caminho que eu desejava seguir: estudar, aprender e utilizar a internet como ferramenta de conhecimento.
Escrever um livro parecia um sonho muito distante da minha realidade. Faltavam recursos, faltava preparo, mas minha determinação falava mais alto.
Desempregado e sem dinheiro, eu precisava de duas coisas: montar um pequeno comércio e conseguir um computador com acesso à internet.
Com a ajuda de familiares, consegui montar o bar. Após dois anos de solidão, sem dinheiro e sem emprego, mas determinado, consegui encontrar um espaço e montar o pequeno bar exatamente como eu imaginava.
Dois meses depois, consegui comprar um computador a prestação.
Eu não entendia praticamente nada de computador e internet, mas já tinha noção do potencial ilimitado daquela ferramenta.
Assim, aos sessenta anos, comecei uma nova etapa da minha vida.
Tornei-me um iniciante nesse novo mundo digital.
Fascinado pelas possibilidades que surgiam diante de mim, mal sabia digitar, mas comecei minhas viagens pelo conhecimento através da internet.
Fechava o bar à meia-noite e ia para o computador. Às vezes, quando percebia, o dia estava quase amanhecendo.
Eu tinha a sorte de não precisar abrir o bar pela manhã e podia descansar até mais tarde.
Assim comecei a viver uma nova realidade.
Lembro-me que, menos de um ano antes, aquela condição de vida era apenas um sonho: a possibilidade de recomeçar, ter independência e construir um novo caminho.
Comecei a descobrir o gosto pela vida de homem independente, embora carregasse sempre a preocupação com a responsabilidade de contribuir financeiramente com meus filhos, que estavam distantes vivendo com a mãe.
Na minha realidade difícil, apesar dos erros e das dificuldades de uma trajetória muitas vezes sem rumo, também existiram boas lembranças que alimentavam minha alma.
Principalmente as lembranças ligadas aos meus filhos.
Depois dos sessenta anos, meu primeiro objetivo era montar um pequeno comércio onde pudesse trabalhar e, ao mesmo tempo, somar conhecimentos.
Foi ali o início do mesmo caminho que continuo seguindo até os dias de hoje.
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Capitulo 10
A VELHICE TAMBÉM PRECISA SER PLANEJADA
“Depois dos 60, a caminhada não termina: uma nova vida pode começar.
Quando somos jovens, aprendemos desde cedo que precisamos nos preparar para o futuro. Estudamos pensando na profissão, trabalhamos para formar uma família, fazemos planos para comprar uma casa, criar os filhos e conquistar uma vida melhor. Quase toda a nossa energia é dedicada às primeiras fases da vida.
Mas poucas pessoas param para pensar que existe outra etapa tão importante quanto todas as anteriores: a velhice.
Quem já pensou que se preparar para a vida depois dos sessenta anos pode ser uma das decisões mais importantes de toda a existência?
Na juventude, o tempo parece infinito. Mesmo quando erramos, ainda há oportunidade para recomeçar. Se perdermos um emprego, podemos procurar outro. Se um negócio der errado, ainda existe disposição para tentar novamente. Muitas vezes contamos com a ajuda dos pais, dos amigos ou de alguém disposto a estender a mão. A vida oferece novas oportunidades porque o tempo ainda está a nosso favor.
Com o passar dos anos, essa realidade muda.
A idade chega trazendo limitações que não podem ser ignoradas. O corpo já não responde da mesma forma, surgem as dores, a disposição diminui e até as tarefas mais simples podem exigir mais esforço. Além disso, as oportunidades se tornam cada vez menores. O mercado de trabalho fecha as portas para muitos idosos, e a capacidade de recuperar perdas financeiras já não é a mesma.
Infelizmente, existe ainda um problema que pouco se comenta.
Muitos idosos passam a ser quase invisíveis para a sociedade. Aquela pessoa que trabalhou durante décadas, criou filhos, ajudou a construir uma família e contribuiu para a comunidade, de repente percebe que sua opinião já não é mais tão valorizada. Em alguns casos, chega até a ser tratada como um peso.
Existem situações ainda mais dolorosas.
Dentro da própria casa, alguns idosos acabam sendo vistos como um estorvo. Não porque deixaram de amar ou de ser importantes, mas porque a rotina das famílias mudou. Os filhos têm suas próprias responsabilidades, trabalham, criam seus filhos e vivem preocupados com seus próprios desafios. Nem sempre conseguem oferecer o tempo e a atenção que os pais gostariam de receber.
O tempo que hoje parece infinito passará muito mais rápido do que imagina.
Por isso, depender completamente dos outros pode trazer sofrimento desnecessário.
Não significa deixar de amar os filhos ou desconfiar deles. Muito pelo contrário. Significa compreender que cada geração terá sua própria caminhada.
Lembre se; quanto maior for a independência do idoso, melhor será também o relacionamento familiar.
Ter um espaço próprio, preservar a própria dignidade e manter alguma autonomia faz bem para todos.
Não é preciso ser rico
Mas é muito importante construir uma estrutura mínima para essa fase da vida. Uma casa simples, uma renda estável, alguma reserva financeira, cuidados com a saúde e, principalmente, preservar a capacidade de tomar as próprias decisões pelo maior tempo possível.
O dinheiro nunca pareceu tão necessário quanto na velhice.
Enquanto somos jovens, temos força para produzir, trabalhar e recuperar prejuízos. Na velhice, normalmente vivemos daquilo que conseguimos construir ao longo da vida. É justamente quando as despesas com medicamentos, consultas, exames e cuidados pessoais aumentam e a capacidade de gerar renda diminui.
Por isso, pensar no futuro não é egoísmo.
É responsabilidade.
Se você ainda é jovem, pense nisso agora.
Preparar a velhice não significa acumular riquezas. Significa evitar sofrimentos desnecessários. Significa reduzir a possibilidade de depender totalmente da boa vontade dos outros. Significa preservar a liberdade de escolher como viver os últimos anos da existência.
A aposentadoria não precisa representar o fim da utilidade de uma pessoa. Ela pode marcar o início de uma nova fase, mais tranquila, dedicada à família, ao conhecimento e às experiências que antes o trabalho não permitia.
A velhice não precisa ser sinônimo de abandono, tristeza ou desespero.
Ela pode ser uma etapa de serenidade, desde que tenha sido preparada ao longo da vida.
A velhice não é o tempo da inutilidade, mas o tempo em que a inteligência encontra, na experiência acumulada, o terreno mais fértil para produzir sabedoria. É também quando somos favorecidos com mais tempo e liberdade para se dedicar a alguma atividade.
Você não precisa ser rico.
Mas procure construir uma base que lhe permita envelhecer com dignidade, liberdade e tranquilidade.Talvez este seja um dos maiores presentes que você possa oferecer ao seu futuro.
Porque envelhecer é um privilégio concedido a poucos. Envelhecer com dignidade, porém, depende em grande parte das escolhas que fazemos enquanto ainda temos tempo para escolher.
“Envelhecer com dignidade é ser grato a Deus por essa extraordinária passagem chamada vida.“
“Ideias e reflexões não terminam aqui. Elas continuam no próximo livreto da coleção O Mundo de Zé Meireles, porque compreender a vida é uma caminhada, não é um ponto de chegada.“
